Alimentos que previnem doenças |
Azeite de oliva |
| Conhecido pelos países mediterrâneos desde 3.000 a.C. sua utilização se consolidou a tal ponto que hoje seu sabor e odor é o traço mais característico da cozinha mediterrânea. Com as grandes navegações por volta do ano 1.500 sua utilização espalhou-se pelo mundo inteiro. Porém, devido a dificuldade de transportá-lo e produzi-lo seu consumo ficou restrito na forma de condimento. E foi assim que o azeite de oliva foi visto durante séculos: um saboroso e aromático ingrediente culinário.Em 1957, o pesquisador Dr. Keys publicou um trabalho, resultado de 15 anos de pesquisas mostrando a relação entre as dietas de sete países e a prevalência das doenças cardiovasculares. Os resultados foram surpreendentes. Enquanto países como a Finlândia apresentavam uma incidência de mortes por doenças cardiovasculares de 1202/10.000 habitantes, seguidos pelos Estados Unidos com uma incidência de 773/10.000, os habitantes da ilha grega de Creta tinhamuma incidência de apenas 38/10.000. Essas significativas diferenças foram atribuídas, na ocasião, ao tipo de alimentação da ilha constituído de legumes, peixes, frutas, massas, azeite e vinho que desde então passou a se chamar dieta mediterrânea. A partir daí, vários estudos se sucederam e a tese inicial acabou sendo totalmente comprovada. Adicionalmente outros benefícios foram encontrados para o consumo regular do azeite de oliva.Doenças crônico-degenerativas são as principais causas de morte, entre adultos, em quase todo o mundo. É de aceitação unanime que a prevenção é a melhor e mais econômica maneira de lidar com esse grave problema. Trata-se de uma questão complexa, com múltiplos fatores — alimentação, sedentarismo, stress, fumo, fator genético entre outros. Não é proposta desse boletim abordar todas essas questões mas tão somente fazer uma revisão sobre os principais e mais recentes estudos sobre azeite de oliva e seu papel preventivo para doenças crônico-degenerativas. Azeite de oliva pode proteger contra a artrite reumatóide-Estudos, mais recentes, apontam que o azeite de oliva pode ser um agente contra a artrite reumatóide. Uma pesquisa, envolvendo a população grega, publicado no Journal of Clinical Nutrition relatou que o elevado consumo de azeite de oliva e vegetais cozidos podem proteger contra a patologia e moderar seus sintomas. Isso baseado no descobrimento de pesquisadores da Universidade de Atenas, que correlacionaram a artrite reumatóide ao baixo consumo dos dois alimentos bastante comuns na dieta grega. Dos grupos estudados, aqueles que consumiam menor quantidade de azeite apresentavam risco duas vezes e meio maior de desenvolver a artrite reumatóide. Segundo os autores, o azeite pode proteger contra o desenvolvimento da patologia, inibindo a sua resposta inflamatória, através de mecanismo metabólico. Os estudos que relacionam o tipo de gordura da dieta com a pressão arterial são controversos. Por exemplo, os poliinsaturados estão associados com a diminuição da pressão arterial (via metabolismo das prostaglandinas) em alguns estudos, mas em outros nenhum efeito é observado. A menor prevalência da hipertensão é encontrada nos povos do mediterrâneo, que como visto, tem uma dieta rica em monoinsaturados. Por isso, muitos pesquisadores estão estudando a relação entre o ácido oléico com uma menor pressão.Foi demonstrado que o consumo de óleo de colza (58% de monoinsaturados e 13% de poliinsaturados) está relacionado com uma menor pressão sangüínea. Foi investigado o efeito do óleo de girassol e do de colza na pressão sangüínea de indivíduos normotensos. Os resultados mostraram que aqueles que consumiram a dieta com óleo de girassol tiveram uma menor diminuição da pressão sangüínea em relação ao consumo do óleo de colza. E o responsável pela maior redução da pressão é o ácido monoinsaturado. E, é por isso, que o azeite de oliva, uma excelente fonte desse ácido graxo tem sido indicado como o óleo de preparo de alimentos, principalmente nos indivíduos com elevada pressão ou com história familiar de hipertensão. CREDIDIO, E. V., "Alimentos Funcionais na Nutrologia Médica" - Editora Ottoni - Itu, SP, 4º Edição - 2008. |