Alimentos que previnem doenças
Linhaça
 
A linhaça é originária da Ásia (possivelmente do Cáucaso) estando amplamente distribuído pelo resto do mundo. Cresce sobre terrenos cultivados, terra planados, baldios, sendo em muitos países cultivado com finalidade industrial e medicinal. Entre los países produtores de linho figuram a Holanda, Inglaterra, Argentina, Marrocos, Estados Unidos, Rusia, India e Oriente medio. Parte Utilizada: do linho se empregam medicinalmente as sementes, das quais se faz a farinha de linhaça e se extrai o azeite. Existem cultivos que empregam sementes grandes com as quais se obtêm azeite, outros utilizam sementes pequenas das quais se obtêm fibras para tecidos dos talos. Logo após a floração, se arrancam as plantas e se colocam em estado que se removam em água para que se decomponham parcialmente. Isto é feito para que se resulte maior facilidade para separar as fibras dos talos.Entre as atuais plantas cultivadas, o linho é sem dúvida nenhuma, uma das mais antigas, sendo empregada na Babilonia, Mesopotamia e Egipto desde 7.000 anos aproximadamente. Existem registros que indicam que os egípcios utilizavam o linho para confeccionar as ataduras com que envolviam suas múmias . Os antigos israelitas secavam o linho deixando-os sobre os tetos de suas casas. Este fato é mencionado na Biblia (Josué 2,6) onde Rahab pode esconder os espiões que Josué mandou a Jericó em coches abarrotados com talos de linho, sendo buscados por ele mesmo rei de Jericó. Assim mesmo a Biblia demonstra a preparação do linho como uma das virtudes da ama de casa: " ... ela se procura o linho e faz os trabalhos com suas mãos..." (Proverbios 31, 13). O linho foi introduzido posteriormente no norte de Europa pelos romanos e mais tarde se propagando através das expedições de Carlos Magno.Composto principalmente por ácidos graxos essenciais poliinsaturados (oleico, linolénico cis-linoleico e alfa-linoleico) e frações do tipo Omega-3,mucílago ácido (10%), traz um heterosidio cianogenético: linamarina (1,5%), diglucosidios (linustatina, neolinustatina), apresenta ácido prúsico, fibra solúvel (pectina), provitamina A, vitaminas B, D e E, fitosteroides (estigmasterol, sitosterol, avenasterol, colesterol), lignano (secoisolarici-resinol diglucósido) e una enzima: linamarasa.O alto conteúdo em mucílagos, de natureza urónica, confere uma ação laxante mecânica o de volume (igual que o plantago e o psyllum), emoliente e hipolipemiante. O azeite hidrolizado proporciona, além de seu valor nutricional, propriedades dermatológicas similares a das vitamina F e atividade antibacteriana frente a Staphylococcus aureus (Arteche García A. y col., 1994; Vidal Ortega C., 1995).Seu alto conteúdo em fibra solúveis favorece os regimes de pacientes diabéticos. Na Universidade de Toronto se concluíram estudos em humanos com duplo cego versus placebo, observando-se que os grupos que recebiam azeite de semente de linho apresentavam um incremento de 27% nos testes de tolerância a glicose em relação aos grupos de controle (Foster S., 1997). Outro estudo canadense determinou que o lignano secoisolarici-resinol diglucósido (0,97 - 3,07% na fração retirada do extrato) administrado a coelhos com dieta hiperlipídica em uma dose de 15 mg/k diários durante 8 semanas, demonstrou uma redução de 33% do colesterol total e 73% de redução de placas ateromatosas na aorta através do exame anatomo -patológico (Muir A. et al., 1997). A diferença de outros integrantes do genero Linum, no se puderam encontrar podofilotoxinas as quais se cresciam na terapia oncológica (Konuklugil B., 1996). A mudança, na presença de precursores de lignanos nas sementes de linhaça pareciam influir sobre as disfunções ovárianas na mulher devido a que estas substancias tinham relação, mesmo que pequena, com os hormônios sexuais femininos. Em experimentos das Universidades de Rochester (New York) e Minesota comprovaram que a baixa quantidade de fibras e lignanos contidos nas dietas ocidentais, predispõe as disfunções ovarianas , entre elas nos processos anovulatórios e, por cima, um maior risco de câncer de mama (Phipps W., 1993).Em relação ao seu teor em azeites Omega-3 vários estudos tem confirmado o caráter antioxidante dos mesmos. Finalmente cabe demonstrar que a linhaça tem sido incorporada na 4ª Edição da Farmacopeia Nacional Argentina.Efeitos Adversos e ou Tóxicos: as sementes de linhaça contem heterosidios cianogenéticos (tóxicos respiratórios) em escassa quantidade (25 mg por cada 100 g), por tanto se recomenda tomar as sementes inteiras (a cutícula evita seu desprendimento) e prescrever a farinha (fresca) somente em uso externo (Arteche García A. y col., 1994). Também contém una proteína denominada lineína, que faz que a farinha fique tóxica por via interna. Contudo isto não ocorre com as sementes inteiras devido ao fato de não sofrer digestão, só atuam os mucílagos da superfície seminal, responsável pela ação laxante- emulcificante (Peris J. et al., 1995). As sementes contem l-amino-d-prolina, um antagonista da piridoxina, encontrando-se em forma de péptidio com o ácido glutâmico originando o composto linatina. Administrada simultaneamente com piridoxina em galinhas, se inibe em grande parte o efeito tóxico da l-amino-d-prolina. Esta substancia, in vitro, forma um complexo com a piridoxina denominado hidrazona, de manera tal que a vitamina não pode cumprir sua função no metabolismo dos aminoácidos. O aquecimento intenso e a extração com água eliminam a substancia responsável (Klosterman H. et al., 1967; Liener I., 1980). As quantidades de ácido prúsico (contido também no tabaco) são insignificantes como para gerar toxicidade, pero no obstante se recomenda não exceder as doses recomendadas. As alterações por rancificação ou rancidez da farinha ou do azeite de linhaça podem provocar irritação cutânea , por tal motivo se recomenda sua moagem rápida ou empregar as sementes amarelas que não precisam moer o triturar previamente (Morales C., 1994). As sementes podem ser utilizadas em casos de constipação intestinal, gastrites, afecções respiratórias, urinarias e hiperlipidemias. Se recomenda seu uso prescrevendo-se entre 1 a 3 colheres de sopa diárias, ingeridas sim mastigar, com bastante água. Nas outras patologias se pode realizar com elas uma infusão (uma colher das de sopa por copo), fervendo durante cinco minutos, para logo infundir durante 30 e posteriormente filtrar.Também é eficaz em casos de constipação, gastrites e hemorroidas, deixar de molho umas oito horas para depois beber o líquido o qual apresentará um aspecto gelatinoso. Outra maneira de obter bons resultados é incorporar-las no muslee do café da manhã.Enquanto o azeite, se prescreve a quantidade de uma a três colheres das de sopa ao día.A decocção das sementes (50 g/l), fervidas durante três minutos, pode ser aplicada em forma de compressas ou lavados (eczemas, forúnculos, abcessos) ou cólicas de constipação. Assim mesmo o azeite pode ser aplicado localmente em processos dermatológicos. Na India só se utilizam as sementes de linhaça tostadas e pulverizadas em casos de disenteria, administrando-se entre 20 e 25 g mesclados com igual quantidade de açúcar, três vezes ao dia.A farinha de linhaça é tóxica por via interna, porém se pode aplicar topicamente e na preparação de sinapismos, espécie de cataplasmas elaboradas com as farinhas de mostarda e linhaça, para ser aplicadas em casos de forúnculos e abscessos.Possui alta concentração do ácido graxoα-linolênico(cerca de 60%), que pertence ao grupo ômega-3, e de lignana, uma fibra útil no processo digestivo. Na linhaça, estão presentes diversas substâncias com efeito benéfico, comoβ-caroteno,vitamina E, glicosídios, linamarina, taninos e mucilagem. De sua fração lipídica, constam os ácidos graxos cis-linoléico, oléico, palmítico,γ-linoléico e esteárico. Também é encontrado o ácidoα-linoléicoque, além de ser reserva e fonte de energia, é vital para a formação do tecido nervoso, atuando também na regulação da pressão arterial e da freqüência cardíaca. Auxilia na coagulação sanguínea, no metabolismo dos ácidos graxos,além de ativar o sistema imunológico do organismo e reduzir a taxa de LDL-colesterol do sangue. A linhaça fortalece unhas, dentes e ossos e torna a pele mais saudável. Possui ação antioxidante e efeito terapêutico em distúrbios do cólon, do sistema urinário, da próstata e em desordens menstruais. Também é utilizada para o tratamento deinfecções (urinária, psoríase), distúrbios imunológicos(lupus), alergias e eczema, artrite reumatóide, aterosclerose, auxilia no tratamento da asma e do diabetes, e atenua a formação de radicais livres pelo stress.No intestino dos mamíferos são sintetizados o enterodiol e a enterolactona, através de bactérias que utilizam a lignana presente nos alimentos. Ambas as substâncias são similares aos estrógenos e possuem atividade hormonal fraca e ação anti-estrogênica,manifestando ação anti-oncogênica (mama, próstata, endométrio). A associação da linhaça com uma dieta de baixa concentração de lipídios demonstrou ser efetiva na diminuição da divisão celular e no aumento da taxa de mortalidade de células malignas de pacientes com câncer da próstata,de acordo com pesquisa do Centro Médico da Universidade Duke (Durham-NC,EUA).

CREDIDIO, E. V., "Alimentos Funcionais na Nutrologia Médica" - Editora Ottoni - Itu, SP, 4º Edição - 2008.