Alimentos que previnem doenças

Pistache

 
Nativa do sul da Europa, da Ásia e da América do Norte, esta arvore é dotada de folhas simples e largas e cresce lentamente até atingir de 5 a 10 metro de altura. Ela pode viver e produzir por centenas de anos. O seu pequeno fruto é uma noz que contem uma semente de cor amarelada a esverdeada e envolve toda sua superfície. Geralmente, quanto mais escura a tonalidade do verde, anis apreciado são suas sementes.Sua Historia sempre esteve ligada ao luxo e requinte. Nos relatos antigos era considerado um fino aperitivo e muito apreciado entre os nobres. Evidencias arqueológicas na Turquia e na Síria mostram que as sementes do pistache eram usadas como alimento desde 7000 a.C..Os faraós do antigo Egito adoravam usar um perfume chamado Kyphi. O historiador grego Plutarco dizia que ele tinha o poder de relaxar e trazer bons sonhos. Uma curiosidade era a presença do pistache como ingrediente do tal perfume. Já Sheba, rainha da Assíria, monopolizou toda sua produção para seu prazer e a de seus admiradores. Outras lendas diziam que os amantes encontravam-se a luz do luar, embaixo das arvores, só para escutarem o estalo dos pistaches, pois acreditavam que dava sorte.Na Itália, chamado de pistacchino, o nobre alimento foi introduzido pelos sírios no inicio do século I. A partir dai seu cultivo disseminou-se para outros paises do Mediterrâneo. Rico em lipídios e minerais, o pistache contem fibras, proteínas, vitaminas, alem de poliinsaturados. Ele pode ser encontrados em casas especializadas em alimentos de culinária árabe, pois não é cultivado no Brasil. Entre os maiores produtores encontram-se o Irã e a Turquia, seguidos da Síria , Índia e Grécia. De sabor suave e delicado o pistache pode ser servido como aperitivo antes das refeições.Um estudo da Universidade Estadual Penn, dos Estados Unidos, afirma que comer um punhado de pistache por dia pode baixar a taxa de colesterol e suprir a necessidade de antioxidantes normalmente encontrada em verduras e frutas de cores vivas. Comer entre 40 g e 85 g de pistache por dia diminuiu o risco de doenças cardiovasculares, por diminuir significativamente os níveis de colesterol (LDL) e reduziu significantemente as proporções de lipoproteínas", de acordo com a pesquisador Sarah K. Gebauer, que apresentou o estudo no encontro Biologia Experimental, em Washington, na segunda-feira. Os participantes do estudo passaram duas semanas se alimentando de acordo com a Dieta Média Americana, que consiste de 35% de gorduras e 11% de gorduras saturadas. Em seguida, testaram três dietas diferentes durante quatro semanas, sempre com um intervalo de duas semanas entre elas. As três dietas são variantes de um regime popular para a redução de colesterol: uma sem pistache, com direito a 25% de gordura e 8% de gorduras saturadas; a segunda com 42 gramas de pistache por dia, além de 30% de gorduras e 8% de gorduras saturadas; e por último, 85 gramas de pistache por dia, além de 34% de gorduras e 8% de gorduras saturadas. Os exames de sangue então verificaram os níveis de colesterol no sangue de cada participante, após cada dieta. O resultado foi que as 42 gramas de pistache reduziram o volume total de colesterol no sangue em 8,4%, e o chamado colesterol ruim (LDL), em 11,6% O estudo mostrou ainda que as lipoproteínas de de densidade não-alta (Não-HDL) caíram em 11,2%. Esse tipo de lipoproteínas é considerado um indicador confiável sobre os riscos de doenças cardiovasculares. "Ficamos satisfeitos em constatar uma diferença entre as duas doses de pistache sobre a lipoproteína, porque parece que é o pistache que está provocando os efeitos e que ele atua de forma dependente da dose", disse Gebauer. Os pesquisadores analisaram ainda os impactos das dietas sobre os níveis de LDL oxidado e de antioxidantes no sangue. "Queríamos ver se o aumento dos níveis de antioxidantes provocado pelo pistache poderia reduzir inflamações e oxidação", afirmou Gebauer. O pistache contém mais luteína (normalmente encontrada em verduras escuras), beta caroteno (formador da vitamina A) e gama tocoferol (a principal forma de vitamina E) do que outras nozes.Quase exclusivo dos países mediterrâneos por muito tempo, o cultivo do pistacheiro expande-se pelo mundo, com Austrália e Chile iniciando recentemente seus cultivos. O Irã é, destacadamente, o principal produtor, com 300 mil hectares, ou cerca de 68% do total da área mundial com pistache, a qual, segundo a Food and Agriculture Organization (FAO), passa dos 440 mil hectares (Tabela 1). A Austrália entrou no mercado e tem hoje pouco mais de 700 hectares em produção, dispondo de área potencial para incremento. Ainda segundo a FAO, a produção mundial passou de um patamar de 394 mil toneladas, em 1995, para quase 550 mil toneladas em 2004, sendo que a produtividade maior na Califórnia confere aos EUA a segunda posição em termos mundiais, bem à frente da Turquia que detém a segunda posição em área (Tabela 2). Analisando-se os dois principais produtores mundiais, Irã e EUA (Califórnia), verifica-se que a produtividade americana é muito mais alta em decorrência de aplicação de tecnologia muito mais desenvolvida (Tabela 3). O Irã apenas agora começa a despertar para esse detalhe, em virtude de problemas que tem tido na exportação de seu produto. Notícias recentes dão conta da expectativa de que a produção de pistache recue da boa produção do último ano para 150.000 toneladas até março 2006, devido a geadas precoces que danificaram pomares na província sulista de Kerman em 2005. Segundo essa mesma fonte, enquanto a produção elevou-se consideravelmente, a exportação aumentou apenas de 117.000 toneladas para 129.000 toneladas de 1993 a 2004. O pistache responde por 70% das exportações hortícolas do Irã, e o consumo per capita no país alcançou 500 gramas por ano. Em termos de valor, o Irã exportou US$533 milhões em pistaches no ano passado (2004).Alguns especialistas dizem que, graças ao cultivo e à comercialização de pistache pelos americanos, o Irã poderia tirar proveito facilmente da situação atual para melhorar suas exportações do produto, porém É crescente a demanda por projetos alternativos que atendam às necessidades de empresas para investimentos em novas culturas agrícolas e que sejam geradoras de emprego e renda. No campo da fruticultura, muitas oportunidades têm surgido com cultivos de plantas exóticas, outrora incomuns no Brasil. É o caso, por exemplo, das frutíferas de caroço e várias outras de origem asiática ou européia melhoradas para cultivo em regiões subtropical e tropical. A distribuição de frutíferas e nozes de clima temperado no Estado de São Paulo foi analisada e, considerando suas épocas de colheita, reportaram-se produções de frutos em todos os meses do ano, especialmente entre outubro e abril. Foi verificados ainda a existência de novos e importantes nichos de cultivo nas regiões de Jales, Presidente Prudente, Barretos e Jaú, com predominância de uvas finas, pêras asiáticas, pêssegos adaptados e nogueira- macadâmia, respectivamente. Determinadas frutíferas, originadas em zonas temperadas, muitas vezes nem necessitam ser melhoradas geneticamente, pois se adaptam razoavelmente bem em locais mais frios da Região Sul e Sudeste do Brasil, como certos cultivares de macieira, pereira e quivizeiro. Além disso, observa-se importante tendência na mudança dos hábitos alimentares de parcela da população brasileira, buscando nas frutas os componentes essenciais de dietas mais saudáveis e balanceadas. Certamente, a introdução de novas alternativas e a recomendação de técnicas de cultivo, apropriadas a diversas regiões, muito contribuiria ao avanço do agronegócio do setor frutícola nacional. Dentre as inúmeras opções frutícolas, vislumbra-se a possibilidade da introdução do pistache, noz típica do Oriente Médio e bastante apreciada e consumida pelos brasileiros. Sabe-se que há cultivares rústicos, menos exigentes em frio hibernal, que poderiam apresentar razoável adaptação climática e grandes chances de cultivos econômicos no Brasil.de produtos promotores de crescimento, bastante usuais na fruticultura de clima temperado nacional. Além da exigência climática, outro fator importante a considerar seria a demora das plantas para entrar em produção econômica. Entretanto, há também a perspectiva de se aproveitar as entrelinhas para o consórcio com outros cultivos rentáveis e que atinjam produção mais rapidamente, como a videira.Diante disso, pode-se imaginar que o pólo Petrolina/Juazeiro, no Nordeste brasileiro, apresente a situação para investimentos da natureza, onde já se pode contar com tradição no cultivo de frutas, com a possibilidade de exploração da videira e, principalmente, pela água em abundância, outra séria demanda do pistacheiro. Outras regiões brasileiras, obviamente, também poderiam tornar a cultura do pistache viável, como as regiões mais frias do Sul e Sudeste. Na conjuntura brasileira, e considerando a recomendação para exploração especialmente no semi-árido nordestino, as condições apresentam-se, no mínimo, interessantes. O preço da terra na região favorece um empreendimento da natureza proposta, que exige um tempo de maturação elevado. É preciso considerar, ainda, a possibilidade de consorciar o plantio ao da uva pelas facilidades presentes na região, quais sejam de mão-de-obra treinada para a fruticultura, disponibilidade total de água e estrutura exportadora. Embora não haja atualmente nenhum esforço para exploração do pistache no Brasil, os parâmetros existentes em outros países, discutidos neste trabalho, permitem vislumbrar boa perspectiva para tal, lembrando da absoluta necessidade de estudos agronômicos básicos, desde a simples introdução de material melhorado.Qualquer iniciativa no sentido de tentar a introdução do cultivo do pistache no Brasil deveria obrigatoriamente contar com forte apoio da iniciativa privada interessada na questão em parceria com as entidades de pesquisa.

CREDIDIO, E. V., "Alimentos Funcionais na Nutrologia Médica" - Editora Ottoni - Itu, SP, 4º Edição - 2008.