História da Obesidade

A obesidade é provavelmente a enfermidade metabólica mais antiga que a humanidade conhece. Podemos observar em pinturas e estátuas em pedra com mais de 20 mil anos já representavam figuras de mulheres obesas.
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As mesmas evidências de obesidade foram vistas nas civilizações do antigo Egito, em múmias egípcias. Na China foram encontradas pinturas e porcelanas chinesas da era pré-cristianismo, na Grécia representações em esculturas gregas e romanas e, mais recentemente, em vasos dos maias, astecas e incas na América pré-colombiana. Na idade da pedra foram encontrados os primeiros indícios dos tipos de obesidade a obesidade a glútea e abdominal que são representados em diversas pinturas da Idade da Pedra que foram encontradas nos mais diversos lugares da Europa. A obesidade do tipo glútea é a que prevalece na arte da Idade da Pedra na França, Espanha, ,Creta , Iugoslávia , Checoslováquia e Ucrânia. Em contraste, a obesidade do tipo abdominal encontrada na Áustria “Vênus de Villendorf” e Romênia.


Dr. Edson Credidio - Médico Nutrólogo, Doutor em Ciências de Alimentos pela Unicamp, Título de Especialista em “Gestão da Qualidade e Segurança dos Alimentos” pela Unicamp, Coordenador do Sistema Nutrosoft, Perito Judicial em Análise de Alimentos e membro da Associação dos Peritos Judiciais do Estado de São Paulo, Membro da International Colleges for the Advancemente of Nutrition - USA, Membro da American College of Nutrition – ACN – USA, Membro do Comitê Científico do Food Ingredients South America, Membro Titular da Academia Latino – Americana de Nutrologia e Autor com dezesseis livros publicados.

A obesidade visceral parece associada aos povos com fartura de alimentos e maior sedentarismo, estando ligada a enfermidades, enquanto a obesidade glútea estaria mais relacionada a um temporário armazenamento de energia para garantir a sobrevivência do indivíduo e da espécie e não parece estar relacionada a enfermidades. A arte da Idade da Pedra nos dá um vislumbre dentro da emergente situação da humanidade daquela época, permitindo-nos avaliar através dela e não da escrita, que não existia. As modificações sofridas durante o fim da era neolítica, quando a sociedade iniciou as mudanças centradas numa paulatina urbanização e agricultura organizada, fatores estes que certamente tiveram um impacto na atividade física e no conseqüente aparecimento da obesidade. Os principais fatores causais que propiciaram o menor desgaste físico das pessoas foram: a invenção da roda, o arado da terra realizado por animais e a cultura dos cereais, que poupou ao homem da fadigante caça e a procura intensa do alimento . A utilização dos animais domesticados para a tração, o transporte e mais recentemente, a invenção da máquina a vapor, do motor elétrico, do transporte automotivo, da automação, controle remoto levaram o ser humano a manter a ingestão habitual e a dispender uma quantia muito menor de esforço físico, se instalando o sedentarismo e consequentemente a obesidade. A obesidade na medicina chinesa é contada que o Império Chinês tenha sido fundado por três imperadores celestiais, por volta do ano 2000 a.C. Durante seus 100 anos de reinado, Huangt, o último dos três, favoreceu seu povo com um grande número de avanços tecnológicos culturais, tais como: a roda, o magnetismo, um observatório astronômico, o calendário e o “Nei Ching”-O livro do Imperador Amarelo, que é o mais antigo tratado de medicina chinesa e pelo qual ela se norteou por mis de 2500 anos. De acordo com o “Nei Ching” era indispensável à boa saúde e felicidade uma dieta balanceada que permitisse o fortalecimento do corpo, evitando a obesidade e aumentando a longevidade. Era dito no sábio livro que para se ter saúde, alegria de viver e harmonia deveriamos comer de tudo um pouco e quanto mais variado e colorido melhor. No período greco-romano as complicações que a obesidade traz à saúde humana estão claramente descritas nos estudos médicos do período greco-romano. Nos textos hipocráticos, está descrito que a morte súbita era muito mais freqüente nos pacientes gordos que nos magros. Os mesmos escritos referem que as mulheres gordas eram menos férteis que as magras, sendo essa infertilidade atribuída às dificuldades na cópula e ao acúmulo de gordura fechando a entrada do útero e impedindo a admissão dos líquidos seminais. Hipócrates preconizava que o obeso, para emagrecer, deveria fazer uma grande quantidade de exercícios depois de alimentar-se, deveria comer uma só vez ao dia, não tomar banho, dormirem uma cama dura e caminhar desnudo a maior parte do tempo. No mundo romano, a obesidade era vista como uma doença social e moral capaz de derrubar tiranos e aviltar até os patrícios mais ricos. O gordo era considerado, de modo uma pessoa de má índole, incompetente ou boba. É conhecida uma frase de Cícero que, dirigindo-se a um adversário obeso, disse: “Um grande ventre é incapaz de produzir um espírito sutil”. A obesidade era atribuída a Pletora, sangue que era transformado em gordura ao invés de transformar-se em sangue menstrual ou sêmen. Tanto o fator congênito, familiar, como o estilo de vida estavam implicados no aparecimento e evolução da enfermidade. A mulher, por ser mais úmida e fria do que o homem e por estar confinada à casa”, era considerada mais propensa à obesidade, embora o homem que bebesse muito vinho e comesse em demasia também fosse considerado de risco. Os pacientes procuravam auxilio somente por razões estéticas. Os médicos, por seu lado, reconheciam que a obesidade era uma doença grave, de difícil tratamento, que diminui a expectativa de vida e dificultava a fertilidade em ambos os sexos. O tratamento preconizado na época consistia em uma dieta especial de alimentos com baixas calorias: pão de cevada, vegetais verdes e restrição da quantidade de líquidos e da comida; o gordo era também encorajado a fazer exercícios e banhar-se várias vezes ao dia. Embora a obesidade fizesse parte do contexto da medicina daquela época, ela, como até hoje, tinha uma conotação de desprezo, não sendo levada suficientemente a sério, a tal ponto de os romanos não costumarem pesar seus pacientes obesos,o que impediu uma abordagem mais objetiva, tanto no diagnóstico como no acompanhamento dos resultados obtidos na época. No livro sagrado, a Bíblia observamos ensinamentos que as igrejas pregaram e até hoje ainda pregam, que a gordura é pecado e é coisa do diabo.(Gálatas 1:8) - Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. (Gálatas 1:9) - Assim, como já vo-lo dissemos, se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Quando Paulo escreveu em (Romanos 1:16) - Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê;” ele estava se referindo ao evangelho que visa o arrependimento do homem e a fé em Jesus Cristo e no que Cristo realizou por nós pecadores. (Lucas 24:46) - E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, (Lucas 24:47) - E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. (Lucas 24:48) - E destas coisas sois vós testemunhas.” Pedro afirmou que a finalidade da pregação é alcançar a salvação da alma.(1 Pedro 1:9) – “Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.” O evangelho pregado por Jesus tem por finalidade promover a regeneração ou o novo nascimento, transportando o homem perdido numa nova criatura que passa a ter relacionamento com Deus como filho adotivo. (1 João 3:1) - Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso o mundo não nos conhece; porque não o conhece a ele. (João 3:2) - Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos.Consta ainda que os pregadores adotaram um lema: “O lema é “Só coma o necessário”. Quem come mais do que o organismo precisa é compulsivo e, para pôr fim à compulsão alimentar, o remédio é rezar. Corra para Deus, essa é a recomendação. Comer o que é necessário e orar e jejuar são meios eficazes para acabar com a compulsividade para comer. Comer demais é obra da carne e a Bíblia recomenda que não andemos na carne, mas que andemos no espírito. É o que lemos em (Gálatas 5:16) - Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. (Gálatas 5:17) - Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis. (Gálatas 5:18) - Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei. (Gálatas 5:19) - Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, (Gálatas 5:20) - Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, (Gálatas 5:21) - Invejas, homicídios, bebedeiras, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.” Como acabamos de ler o pecado de glutonaria é comer demais, absurdamente, desnecessariamente. Costuma-se perguntar: “Você come para viver ou vive para comer?” Ainda lemos que, além da dieta recomenda, há outra menos ortodoxa e mais sensata. Que sustenta, além de rezar, é preciso que se comam os alimentos certo que são aqueles citados positivamente na Bíblia. Nesta dieta santificada pelo livro sagrado, entram peixe, lentilha, vinho, pão e vegetais praticamente crus. Carne de porco – proibidos no judaísmo e islamismo – e frutos do mar estão fora do cardápio. Galeno, considerado o maior médico da Antiguidade do século II, tendo escrito mais de 125 tratados médicos, discorrendo sobre os mais variados aspectos da arte (anatomia,fisiologia, higiene e terapêutica) identificou e descreveu dois tipos de obesidade: a moderada e a imoderada. A primeira, uma forma natural de gordura, e a segunda, uma forma patológica . No seu livro, “De Sanite Tuenda”, Galeno diz: “A arte de evitar a gordura e ter a boa saúde é ser obediente, pois nos desobedientes, isto é impossível”. Essa noção reflete o pensamento de Galeno que via a obesidade como um distúrbio de personalidade do indivíduo. Referencias sobre a obesidade no “Talmude”- O estudo enciclopédico da lei judaica, que contém as opiniões e mentos dos antigos sábios judeus baseados nas interpretações dadas aos relatos da Tora, os cinco primeiros livros do Antigo Testamento, compilado durante o período de 300 a.C. até 500 d.C., há diversas citações sobre obesos e obesidade.A mais relevante é o relato da cirurgia a que foi submetido o rabino Eleazar, famoso pela sua obesidade. Ele foi levado para uma casa cujas paredes eram todas em mármore branco limpeza para o ato cirúrgico. Para suportá-la, foi-lhe administrada uma poção soporífica; o seu enorme abdome foi aberto e de dentro foram retiradas numerosas cestas de gordura. Não há relato de quem fez a cirurgia, como o rabino se recuperou e voltou à vida normal. Esta é, sem dúvida, a primeira referência à obesidade visceral e à cirurgia como terapêutica. Há outra menção, da mesma época, quanto a esse tipo de procedimento, quando uma operação semelhante foi realizada no filho obeso do cônsul Lúcio Apronius e relatada por Plínio. Outra citação do Talmude sobre a obesidade conta que o rabino Eleazar Ben Sirneone, e seu pai o também rabino Simeon Yochai, fugiram das autoridades romanas da Galiléia e viveram escondidos numa caverna por um período de 13 anos comendo somente tâmaras e frutas. Embora a dieta fosse frugal, o rabino Eleazar e seu pai engordaram, tornando-se obesos . Essa referência tem conotação direta com a propensão genética à obesidade, que ocorre mesmo sem grande excesso alimentar. O bem-sucedido tratamento da obesidade na Espanha no século X: O rei “Sancho I” , também conhecido como “Sancho o Gordo”, subiu ao trono de Leon depois da morte de seu pai no ano de 958; porém, considerado inapto por ser extremamente gordo, foi deposto por sua própria corte. A rainha mãe, sua avó, inconformada com o fato, apelou para o califa do reinado vizinho de Córdoba que possuía um medico famoso, já que os médicos de Leon tinham sido incompetentes para curar o seu neto. O médico árabe Hisdai Ibm Shaprut era considerado um sábio pois usava uma formula capaz de dar uma grande sensação de bem estar e diminuir o apetite, quando era ingerida com vinho ou óleos, acreditando que pudesse conter algum opiáceo. Hisdai determinou que o tratamento de Sancho séria muito prolongado e que ele e sua avó deveriam mudar-se para a corte de Córdoba, onde Sancho poderia ter uma supervisão constante. O tratamento deu resultado e “Sancho o Gordo”, emagreceu e foi reconduzido ao trono de Leon. Como decorrência disso, os dois reinos, Leon e Córdoba, tiveram um longo período de paz e entendimento um final feliz,nem sempre presente no tratamento da obesidade. No século XII, Maimônides medico, filosofo, jurista e astrônomo judeu nascido em Córdoba, em uma de suas obras, a “Preservação da Juventude”, recomendava comer moderadamente e, se o indivíduo estivesse faminto e sedento, devia esperar um pouco, pois ocasionalmente a fome e a sede poderiam ser ilusórias, numa verdadeira antecipação dos ensinamentos da moderna terapêutica comportamental da obesidade “A Dieta do Rabino -A Cabala da Comida”, Bonder, N.- Imago Editora). Segundo o volume de uma trilogia baseada num dito (e jogo de palavras) da tradição rabínica, que afirma: "Uma pessoa se faz conhecida através de seu copo, bolso e ódio" (Kossó, Kissó ve-Kaassó). O primeiro volume, A dieta do rabino - A cabala da comida, dizia respeito ao "copo" e a quão revelador é nosso comportamento em relação aos alimentos que ingerimos. Este segundo volume aborda o "bolso" (Kissó) e suas intrincadas formas de expressar quem somos. Através das questões do bolso, A cabala do dinheiro apresenta uma visão ecológica que não se baseia na Natureza, mas no Mercado. Expõe, assim, a conflitante luta humana pela preservação da Natureza, quando todo esforço cultural e civilizatório se faz contra a Natureza e a favor do Mercado. Nilton Bonder sintetiza a visão que tinham os rabinos, segundo qual a Natureza é bem mais violenta e cruel que o Mercado. Visão esta que entende na cooperação e na solidariedade elementos de transcendência e espiritualidade, que tornam o Mercado e as trocas efetuadas no dia-a-dia um cenário para a expressão religiosa. Insights baseados na tradição judaica, que há milênios especula e transmite conhecimentos sobre os mistérios da dieta e do simbolismo dos alimentos. Uma tradição que também soube valer-se de seus traumas para extrair sapiência para o problema da obesidade. O ato de comer tem em muitas ocasiões um sentido maior do que o simples ato de comer. Daí os rabinos apresentarem dieta e não regimes para tratar a alimentação como um sistema profundo e complexo ao invés de um simples ato. Dietas referem-se a padrões que já são parte do nosso ser, que foram o nosso primeiro modelo de troca recebido neste mundo. Talvez uma das maiores dificuldades de nosso tempo, em termos de definição étnico-social, seja determinar quem são os judeus. Pois o autor oferece a sua tentativa, afirmando que a palavra escrita é sua maior fonte de produção artística e seus livros passaram a representar seu território no exílio. Sua cosmogonia relata sobre um Deus que cria através da fala. Além disso sua culinária é vasta e variada, produto de uma absorção e criativa adaptação dos temperos dos lugares por onde passaram. Também sua ritualística reflete esta evidência. Seus rituais religiosos freqüentemente se mesclam com comidas especiais para cada ocasião. O Sabat, o Sábado, dia consagrado da semana, tem seu ritmo determinado por três refeições. O Yomkpur, o dia do Perdão, mais sagrado do ano, é marcado pela ausência da comida, prática do jejum, e a quebra do jejum no seu final. Na Páscoa, segunda festa mais importante, a comida se transforma em linguagem simbólica, de tal forma que o Livro de Orações poderia ser facilmente confundido com um cardápio. Foram os rabinos no passado que articularam toda uma teoria e prática de alimentação baseada em duas noções: uma relevância quase cósmica da alimentação e a forma física como expressão complexa de significados. Os rabinos são os mestres da dieta. O fenômeno da obesidade crônica entre os judeus, principalmente dos praticantes, tem muito a nos esclarecer quanto à natureza da própria obesidade. Ligado a momentos específicos da história dos judeus, este processo será elucidado para as obesidades de cada um de nós. O copo do provérbio talmúdico representa a bebida ou a comida e em particular o que é abordado no livro, a troca substancial com o universo. O bolso representa as nossas relações de poder com o mundo. Enquanto a ira tem a ver com o nosso espaço emocional de poder sentir e lidar com as nossas emoções. É muito fácil haver curtos-circuitos entre esses três universos, que passam a se confundir e inter-relacionar. Certamente você já ouviu isso alguma vez na vida. A relação entre o que somos e o que comemos passa pelas dimensões física, psíquica, simbólica e espiritual. Se estamos gordos ou temos espinhas, vamos a um médico e ouvimos dele que devemos evitar comidas gordurosas. Se temos úlcera ou gastrite, devemos evitar ingerir substâncias que, como o café e o chocolate, levam o estômago a exagerar na produção de secreção ácida. Isso é físico. É interessante perceber o quanto os sintomas físicos refletem estados de espírito: a gastrite, por exemplo, é um problema típico de pessoas que trabalham sob grande tensão e em ambiente competitivo. Estas pessoas, além de evitar consumir determinados alimentos, devem se proteger contra a "acidez" do seu dia-a-dia. Já a obesidade, a não ser quando causada por fatores genéticos, comumente está associada à compulsão que o indivíduo tem de ingerir alimentos como se eles fossem suprir as suas demais carências. O mesmo acontece com o alcoolismo ou a dependência de drogas. Todo mundo já deve ter se flagrado olhando para dentro da geladeira e se perguntando o que estava procurando ali dentro. Às vezes não sabemos nem se o desejo é por um sabor doce ou salgado. Se neste momento paramos para refletir, percebemos que na verdade não estamos com fome, e sim com uma sensação de vazio, uma ansiedade que se camufla sob a forma de gula. Tudo o que ingerimos (ou deixamos de ingerir) irá refletir na nossa saúde de alguma maneira. Do ponto de vista holístico, este raciocínio se encaixa também nos demais campos da vida. Tudo o que absorvemos passa a fazer parte de nós, e por nós será devolvido ao mundo. O ato de se alimentar é uma forma de conexão com o todo, com o Universo. As religiões fazem inúmeras referências à alimentação, com proibições e recomendações. No judaísmo, por exemplo, este é um dos pontos mais importantes. No livro "A Dieta do Rabino- A Cabala da Comida", o Rabino Nilton Bonder explica que, para os rabinos, a obesidade pouco tem a ver com o conceito magro/gordo, e sim com o de leve/pesado. "Obeso é aquele que é pesado em diversos níveis. Para tratá?lo, os rabinos se detêm na explicação de que DIETA não é REGIME. Dieta não é para se ficar mais magro, mas sim para ficar mais leve. Regimes são sacrifícios e renúncias vazias, enquanto a dieta é uma nova visão pela qual se vive", afirma Bonder. Quando fazemos regimes, mais cedo ou mais tarde sofremos recaídas. A cada recaída, os hábitos que desejamos combater ficam mais fortes e acabamos nos distanciando ainda mais do objetivo. O resultado é que até o regime se torna um hábito. Já manter uma dieta é estar em sintonia com a vida, é internalizar a idéia da troca com o Universo. Segundo o rabino, tudo indica que o ideal bíblico era o vegetarianismo. De acordo com a Bíblia, Adão não tinha permissão para alimentar?se de animais. "Veja, Eu te ofereço toda a semente ou planta que se arrasta no solo... E a todos os animais da terra, a todos os pássaros dos céus, e a tudo que se arrasta pelo chão... entrego as plantas verdes como alimento" (Gên. 1:29). Porém, no tempo dos filhos de Noé, a carne foi permitida, pois foi dito: "E toda criatura viva será tua para alimento" (Gên. 9:3). Assim, somente após o dilúvio, com a cobertura vegetal da terra totalmente alterada, surge a permissão para o abate animal. Os adeptos do vegetarianismo não se sentem impedidos de comer carne. Eles simplesmente preferem não fazê?lo, por uma questão de consciência, uma opção pessoal. Definiram sua dieta assim porque consideram a forma de vida animal próxima demais da sua, e consomem, no máximo, produtos obtidos de animais vivos (leite e ovos). É desta forma que se sentem íntegros na sua troca com o Todo. O manejo da obesidade no Império Bizantino – Quando João VI Cantecuzenus, imperador de Bizâncio entre 1347 e 1354, abdicou e tornou- se monge, escreveu as suas memórias, que ficaram registradas no livro “Historiae Byzantinae”, do qual ressaltamos o seguinte relato: “Gavelas, um nobre muito rico do império, teve problemas para casar com a sua prometida que o rejeitou por achá-lo gordo e flácido, O noivo, desesperado e inconformado, mandou vir da Itália um médico famoso que lhe cobrou uma grande soma. Sob a orientação desse médico, Gavelas abandonou todos os seus afazeres e responsabilidades para dedicar-se exclusivamente a seguir as suas instruções: banhos, drogas eméticas e purgativos, exercícios e uma dieta restritiva. Ele perdeu peso, enfraqueceu, porém conseguiu casar-se com a sua amada, outro final feliz relacionado ao emagrecimento. Os médicos bizantinos descreviam a obesidade como conseqüência de uma dieta farta, falta de exercícios e mudanças no humor. Ao obeso era recomendada uma dieta rica em vegetais, frutas, peixes e aves, e proibidas as carnes vermelhas, os crustáceos, pão, queijo e vinho. Os exercícios e os banhos termais eram muito recomendados, pois faziam suar e, com isso,contribuíam para a perda de peso. Como vemos,a dieta,o exercício e as drogas já eram os métodos mais eficazes para o tratamento da obesidade. A medida do peso corporal e o início da abordagem científica da obesidade- O método quantitativo de avaliar o peso corporal foi introduzido pelo filósofo e médico Santório, formado pela mais antiga Faculdade de Medicina, a de Padova em 1558 .Fundador da avaliação pelo método quantitativo, ele inventou uma cadeira-balança que servia para medir o peso do paciente nas mais diversas situações: comendo, dormindo. fazendo exercício, durante a revolução de uma enfermidade e em diversas s circunstâncias. Ele testou essa prática por mais de 30 anos e publicou os resultados no pequeno livro chamado “Ars de Statica Medica”, traduzido em diversas línguas e reproduzido em mais de 25 edições. Provavelmente esses primeiros experimentos metabólicos no estudo do peso corporal . A primeira monografia escrita sobre a obesidade data do século XVII, relatando-a como uma mistura de doença com distúrbio do caráter. Sydcnham, que foi o grande clínico daquele século e por muitos aclamado como o “Hipócrates moderno”, foi quem primeiro começou a catalogar os sinais e os sintomas manifestados pelas pessoas enfermas, correlacionado-os com as doenças, tendo culminado com a publicação do “Grande Catálogo Clínico das Doenças”, do início do século XVIII. Nesse catálogo, já figurava a obesidade.No decorrer do século XVIII, verificaram-se diversas descrições sobre a obesidade. Malcolm Flemyng, de Edimburgo (1760), publicou uma monografia sobre as quatro causas da obesidade, que ele chamou de corpulência e que considerava uma doença que dificultava as funções vitais e encurtava a vida. As quatro causas da corpulência eram:1. A ingestão de grandes quantidades de alimentos, especialmente os ricos em azeites; 2. Um excesso de afrouxamento na textura da membrana celular, favorecendo a entrada da gordura;3. um estado anormal do sangue que facilitaria o armazenamento da gordura sob a forma de vesículas; e 4. uma evacuação deficiente.Com o início da medicina clínica (1800-1850), começaram a aparecer citações mais freqüentes e descrições da obesidade. É curioso lembrar que Laennec, quando da sua primeira descrição do estetoscópio (1816), relata que a idéia surgiu da dificuldade de fazer a ausculta do tórax de uma jovem muito obesa com mamas volumosas. Este entrave forçou o inventor a usar uma folha de papel enrolada cm forma de tubo, colocada entre o seu ouvido e o tórax da paciente, enquanto esta segurava as mamas levantadas. Visto o sucesso da ausculta, Laennec aperfeiçoou o artefato, fazendo-o em madeira e generalizando a sua aplicação a todos os pacientes, gordos e magros. Durante o século XIX, nenhuma farmácia era considerada completa sem o seu vidro de sanguessugas vivas, usadas para tratar muitas enfermidades, entre elas a epilepsia, a tísica, as hemorróidas e a obesidade. Como fruto da medicina clínica que se desenvolveu em Paris no século passado, foram descritos e identificados diversos tipos clínicos de obesidade. O primeiro caso de obesidade de causa hipofisária foi descrito por Chapman (1814), embora a síndrome da obesidade hipotalâmica, assim como nós a conhecemos hoje, tenha sido descrita somente no início do século XX. No ano de 1863, Bantig escreveu o que certamente foi o primeiro livro de dietas. Era um panfleto intitulado: Unia carta dirigida ao público sobre a corpulência. Nesse panfleto, citava o método pelo qual ele próprio conseguira perder peso. Foi traduzido em diversas línguas e serviu de base para uma conferência sobre dietas. “Gordura, sono & Clarles Dickens”. Embora pareça surpreendente que somente nas ultimas três décadas a apnéia do sono tenha sido “descoberta” pela medicina, ela já tinha sido descrita diversas vezes na literatura por indivíduos observadores dos fenômenos que no dia-a-dia acometem o homem. Não obstante Charles Dickens a tenha descrito há mais de 150 anos, ele não foi o primeiro, mas certamente aquele que o fez com maior sensibilidade e precisão. Aos 24 anos de idade, Dickens começou a publicar em Londres, de forma seriada, a narrativa Memórias Póstumas do Pickwick Club (1836), sendo um capítulo a cada dois meses. Nessa novela, Dickens as aventuras de Samuel Pickwiek e seus amigos, pintando um retrato da vida na Inglaterra do início do século XIX. Alguns dos incidentes relatados nas novelas eram hilariantes, enquanto outros eram sérios e dirigidos às injustiças sociais daquela época. O Sr. Pickwick era uma pessoa jovial, extrovertida, gentil, de grande coração e espírito jovial, tendo sido descrito como de aspecto gordinho e rubicundo (aliás, desde a descrição de Falstaff Shakespeare, a rubicundez, um pouco de adiposidade em excesso e o bom humor costumam andar juntos. Em contraste com a vivacidade de Pickwick, Joe, o menino gordo, era sonolento, sujo e voraz. A sonolência e o excesso de peso são freqüentemente citados nas novelas de Dickens, principalmente referindo-se a Joe, quando o autor descreve com clareza o que hoje de apnéia do sono. Joe dormia sempre que não era estimulado a intervir, dormia em qualquer lugar e em qualquer posição; enfim, era tão sonolento que estar desperto era incomum. Tinha dificuldade em acordar, quando dormia roncava muito e tão alto que, estando ele no pátio, ouvia-se o seu ronco na distante cozinha. Seu rosto redondo era avermelhado, a policitemia própria da síndrome. Por outro lado, apesar de ser gordinho, o Sr.Pickwick não sofria de sonolência, a não ser quando tomava um pouco de vinho a mais. Ironicamente, descreve-se hoje que o álcool pode induzir a apnéia do sono em indivíduos agrava nos que já padecem dela (aliás, o fato de o álcool induzir ao ronco já era bem conhecido desde a Antiguidade). A respeito da brilhante e acurada descrição, feita em 1836,o entendimento dessa estranha manifestação ficou no esquecimento por muitos anos, e somente muito mais tarde, entre 1955 e 1970, é que os médicos começaram a entender o que Dickens tinha escrito com detalhes há mais de um século.No império Romano como se sabe, eram preparados grandes banquetes nos quais os participantes, devorar uma grande quantidade de alimentos e se saciar, colocavam os dedos na garganta ou tomavam eméticos para provocar o vômito, para reiniciar, desta maneira, a sua comilança uma vez que tanta fartura de alimento era rara no cotidiano destes habitantes . Essa prática do uso provocado do vômito após a alimentação foi provavelmente origem ao termo bulimia derivado do grego, significando avidez por comida para descrever este comportamento. Galeno (século II d.C.) é de quem temos o primeiro relato da bulimia, que ele chamou de “Kionos orexia”, que em grego queria dizer “fome canina”. Ele considerava que a bulimia era causada por um “humor” que provocava um insaciável desejo de comer, levando a refeições freqüentes e exageradas, que eram muitas vezes acompanhadas de vômitos. No Talmude, o termo bulimia é descrito como urna modificação do comportamento em que a pessoa tem um desejo tão exagerado pela comida a ponto de perder seu estado normal de consciência, ficando fora do contexto de uma alimentação normal. Nos dicionários médicos dos séculos XVIII e XIX, a bulimia foi descrita como uma curiosidade ou um sintoma proveniente de outras enfermidades e era chamada de fome canina. Apenas na literatura mais recente, do último século, a bulimia foi associada com a anorexia nervosa. Guli (1373). o mesmo que descreveu o mixedema do adulto, foi quem pela primeira vez usou o termo “anorexia nervosa” num paciente que, depois de comer exageradamente e estar completamente farto, pensava no que comera como se fosse excremento de galo podre para que isso lhe provocasse o vômito e então pudesse reiniciar a comer. Stunkard, Graee e Wolff (1955) foram os primeiros a descrever a bulimia de alguns pacientes obesos e a denominá-la de “síndrome do comedor noturno”, caracterizada pela ingestão de uma grande quantidade de comida principalmente à tardinha e à noite, insônia e anorexia matutina. O reconhecimento da bulimia como uma síndrome distinta tornou-se evidente nos últimos anos ao ser reconhecido o comer compulsivo, seguido de vômitos, como um comportamento específico de alguns indivíduos que não tinham história de distúrbios do peso do tipo obesidade ou de anorexia nervosa. A típica paciente bulímica seria uma mulher jovem, de boa aparência, ao redor dos 20 anos de idade, bem-educada e inicialmente com um peso proporcional à sua estatura, Resulta que este perfil de pessoa é mais vulnerável a ansiedade, depressão, comportamento impulsivo, flutuações do humor, traços obsessivo- compulsivos, confusão na sua identificação sexual, auto-estima diminuída e severíssimas preocupações de alimentação e peso relacionadas às atuais normas culturais de beldade e magreza. Em 4 de setembro de 1926, o semanário médico The Lancet publicou um artigo sobre a longevidade, chamando a atenção da experiência desfavorável que 34 companhias de seguro devida americanas tiveram em relação à diminuição da expectativa de vida daquelas pessoas que tinham uma circunferência abdominal maior do que a torácica. Esses mesmos levantamentos demonstraram que o peso ideal para um homem aos 45 anos de idade seria aquele que correspondesse a dez quilos menos dos centímetros da sua altura que excedam o metro (ex.: o peso ideal de um homem de 45 anos que medisse 1,80 cm seria de 70 kg). Parece que esses 10 kg a mais, quando adquiridos progressivamente na idade adulta, se localizariam principalmente na região da cintura, provocando um infiltração gordurosa no abdome, o que favoreceria o aparecimento da hipertensão arterial e um aumento da mortalidade por enfermidades cardíacas, doenças hepáticas por infiltração gordurosa do fígado e uma forma particular de diabete relacionada com a obesidade. A cura da obesidade estaria intimamente ligada com o tratamento das suas causas, que poderiam estar associadas á insuficiência de algumas glândulas endócrinas. Este fato levou a urna classificação da obesidade em três causas: excesso de alimentação e erros alimentares, sedentarismo e em algumas enfermidades endócrinas. No entanto, a principal causa da obesidade parece estar mesmo relacionada,sem dúvida alguma, com o excesso ingestão alimentar. Vance Thompson, um estudioso de obesidade, escreve: “Não há nada mais trágico no mundo do que ver um gordo comendo uma batata”. O pensamento da época era que os alimentos à base de carboidratos, mais do que as gorduras facilmente metabolizadas, seriam os responsáveis pela obesidade de causa alimentar. Uma dieta apropriada com poucos carboidratos, intercalados com períodos de jejum, aumento da atividade física e o uso de hormônios da tireóide seriam a melhor abordagem para o tratamento da obesidade. Apesar dessas medidas terapêuticas, muitas vezes não obtemos os resultados esperados no tratamento da obesidade: parece que características como hereditariedade e raça conseguem ter uma influência que transcende o tratamento, impedindo o seu bom resultado. certamente a obesidade é urna séria ameaça à saúde da espécie humana e requer uma especial atenção por parte dos profissionais. No seu Boletim Estatístico de outubro de 1942, intitulado “Qual o peso ideal para as mulheres?”, Luis Dublin, chefe editorial da “Metropolitan Life Insurance Compamy”, foi o primeiro a formular uma tabela de peso ideal inicialmente para as mulheres em outubro de 1942 e mais tarde para os homens em junho de 1943. Os conceitos de Dublin foram posteriormente validados por trabalhos de pesquisa, os quais demonstraram que todo o indivíduo que ganha peso após os 25 anos de idade oferece um maior risco de vida, exclusivamente pelo aumento da gordura corporal. Portanto, pelos estudos atuariais das companhias de seguro, indesejável para o seguro de vida por diminuição da sua longevidade. A sua classificação das pessoas em pequenas, médias e grandes foi arbitrária, porém serviu de ajuda para explicar a larga faixa de variação de peso das pessoas saudáveis, na terceira década da vida. Já naquela ocasião, há mais de meio século, ele fazia algumas afirmativas que permanecem válidas e atuais até hoje. De todos, certamente, a longevidade é o melhor índice para comprovar qual é o peso al de um indivíduo. A nossa companhia de seguros comprovou que, embora um discreto acesso de peso possa ser benéfico no adulto jovem, a partir dos 35 anos de idade a manutenção de um peso ideal aumenta a longevidade dos adultos. Uma obesidade franca parece ser nociva em todas as idades e, embora os jovens possam ser beneficiados na prevenção da tuberculose ou pneumonia, quando tiverem um discreto aumento de peso isso não é mais preconizado como controle dessas duas enfermidades, então mortais.Os gordos desenvolvem com muito mais freqüência enfermidades crônicas como : endurecimento das artérias, infartos, acidentes vasculares cerebrais, hipertensão arterial, diabetes, artrites e doenças da vesícula,etc . Eles também parecem ser menos resistentes às infecções e mais propensos a riscos cirúrgicos. Nas mulheres, há maiores riscos durante o parto. O excesso de peso é tão difundido na população, que a tentativa de controlar essas causas deverá constituir-se em um importante problema de saúde pública. Não há nenhuma dúvida de que um controle adequado do peso corporal resultará num substancial aumento da longevidade nos indivíduos adultos, principalmente após a meia-idade, período da vida em que o índice de mortalidade parece ser mais resistente a mudanças radicais. Se houvesse um controle adequado da obesidade, poderia ser retardado um sem-número de enfermidades que engrossam os índices de mortalidade. Um outro exemplo elucidativo está relacionado com as duas grandes guerras. Nos países onde houve uma grande limitação de alimentos, durante a Segunda Grande Guerra que ocorreu de 1939 a 1945 e a Primeira em 1914 a 1918, a mortalidade pelo diabetes e outras enfermidades crônicas devidas à obesidade diminuiu consideravelmente, com cereteza, pela diminuição forçada do abuso alimentar. Nos últimos 30 anos, houve um dramático aumento da prevalência da obesidade entre a população norte-americana. O último censo realizado nos Estados Unidos, entre 1988-1991, demonstrou que 33,4% dos indivíduos analisados tinham excesso de peso corporal, independente da raça e sexo. Em comparação com dados de 1980, os índices atuais demonstram um aumento da prevalência da obesidade em 8%. O IMC (Índice de Massa Corporal) médio aumentou um ponto, passando de 25,3 para 26,3, e fez com que o peso médio tivesse um acréscimo de 3,6 kg. A população americana está cada vez mais gorda: a estimativa para o ano 2000 é que atinja uma proporção de gordos aproximada em 40%. Estes dados apresentados deveriam ter sofrido, teoricamente, uma redução, tendo em vista ouso indiscriminado dos mais variados produtos da linha diet e Iight. Sem esquecer também de citar a infinidade de drogas, vídeos, livros e aparelhos de ginástica com o objetivo incansável de buscar a perda de peso. A dimensão do problema nos Estados Unidos é de tal importância que a obesidade passou a ser encarada como uma epidemia de difícil controle. Aqui no Brasil, não temos dados epidemiológicos dessa natureza; porém, como todo país industrializado cm via de desenvolvimento, devemos estar indo para o mesmo caminho e com as mesmas nefastas conseqüências.O estudo da obesidade tomou seu grande impulso principalmente na segunda metade deste século, onde duas áreas receberam os maiores avanços. A primeira foi sobre a ingestão de alimentos e o seu controle metabólico, e a segunda no uso clínico dos métodos comportamentais para o seu tratamento. A obesidade está aumentando nos Estados Unidos a um ritmo jamais visto antes, revela uma pesquisa.No ano passado, a percentagem de pessoas obesas passou de 23,7% para 24,5% da população, registrando aumento em 48 dos 50 Estados americanos.Ao todo, cerca de 199 milhões de pessoas estão acima do peso recomendado pelos médicos.A continuar neste ritmo,mais de 73% dos adultos nos Estados Unidos estarão com sobrepeso ou sofrendo de obesidade em 2008. Com o aumento do número de obesos no país, a organização diz que haverá mais pessoas com males ligados ao excesso de peso, como a diabete e doenças coronárias, o que poderá custar bilhões de dólares aos cofres do país. O Departamento de Saúde Pública dos Estados Unidos estabeleceu como meta reduzir a obesidade em adultos para 15% da população até 2010. A obesidade emergiu como uma epidemia em países desenvolvidos, durante as últimas décadas do século XX. No entanto, atualmente, atinge todos os níveis socioeconômicos e vem aumentando sua incidência, também nos países em desenvolvimento. A obesidade não está limitada a uma região, país ou grupo racial e étnico. A obesidade é um fenômeno mundial que afeta ricos e pobres e é resultante da ação de fatores ambientais (hábitos alimentares, atividade física e condições psicológicas) sobre indivíduos geneticamente predispostos a apresentar excesso de tecido adiposo. Devido à sua etiologia multifatorial é difícil mensurar a força de cada uma das variáveis envolvidas no processo do ganho excessivo de peso. Entre elas, destaca-se a influência dos fatores socioculturais que impõem um padrão de beleza esbelto em que as mulheres, especialmente, vivem de acordo com a tirania da moda, contrariando suas necessidades nutricionais. Controlar a ingestão alimentar por meio de dietas restritivas e tornar crônico esse comportamento devido à pressão sociocultural, que impõe padrões corporais cada vez mais magros, são atitudes possivelmente desencadeadoras de transtornos alimentares. É interessante destacar que também há o contraponto desse padrão de beleza em alguns países denominados pré-industrializados, com pouca disponibilidade de alimentos, em que ser gordo é um símbolo de status até hoje. A obesidade é uma doença de difícil controle, com altos percentuais de insucessos terapêuticos e de recidivas, podendo apresentar sérias repercussões orgânicas e psico-sociais, especialmente nas formas mais graves. A teoria cognitiva social, proposta por Bandura, citado por Baldwin & Falciglia, descreve o comportamento humano como sendo determinado por disposições internas e influências ambientais. Comportamento, fatores pessoais internos e eventos ambientais interagem entre si. Métodos cognitivos comportamentais modificam sentimentos e ações, influenciando o padrão de pensamento das pessoas. Segundo Rollnick, mudanças no comportamento alimentar e na atividade física constituem processos ativos nos quais as pessoas têm de se esforçar, consciente e consideravelmente, a fim de mudar antigos hábitos. O comportamento alimentar envolve o apetite (sensação de fome e saciedade), os estados motivacionais e a necessidade de ingestão energética (processos fisiológicos e metabólicos), coordenados pela atividade dos sistemas nervosos periférico e central (vias neurais e receptores).A abordagem desta revisão pretendeu enfatizar as bases e os processos que norteiam o comportamento de restrição alimentar e sua interface com a obesidade. Para subsidiar a discussão, foram resgatados alguns aspectos do comportamento alimentar, assim como aspectos psicológicos envolvidos com a questão, que dificultam o tratamento para redução de peso.